Matisse - Lady on the terrace (1906)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O poder da máquina - a impotência do homem

Nesta semana tivemos o dia do amigo, mais uma data para o comércio comemorar, eu sei, mas até que não é má idéia, acho que as pessoas estão precisando se doar mais. Na verdade as pessoas estão precisando aprender tantas coisas que dá até medo imaginar o que o mundo está se tornando. Mas ao mesmo tempo dá um alívio saber que um único dia é suficiente para caírem as fichas de uma vida inteira, e é quando a mudança acontece... o que isso tem a ver com o dia do amigo? NADA, por que eu não estou aqui para falar do tal dia! Estou aqui para falar de aprendizados. Ouvi, na rádio Itapema (no dia do amigo – e juro que não falo mais nisso) a crônica falada sobre acidentes de trânsito, de um cara que atropelou um motoqueiro porque dirigia completamente bêbado. Ao ser entrevistado ele debochou da estória toda, e parece que já tem passagem pela polícia por mais três atropelamentos sérios, não sei se houve morte em algum. E foi interessante ouvir as conclusões da menina que narrou a crônica porque eu e meu amado estávamos a falar sobre isso um dia antes, pois é, são aquelas coincidências da vida!

Eu falava exatamente sobre o fato de achar que o carro é a extensão do falo. Sim, é isso mesmo que eu acho. Que os homens, ao contrário das mulheres, vêem no carro muito mais que um equipamento utilitário, necessário para a locomoção. Eles entendem o carro como um grande símbolo de poder, uma parte deles, uma parte forte, capaz de matar e, melhor, capaz de não identificá-los. A máquina é o corpo que eles não podem ter, e como não podem lutar no sentido próprio da palavra, sair no soco e chute com outro homem, a luta foi, de certa forma, institucionalizada no trânsito, onde se travam verdadeiras batalhas entre os mais fortes e os mais fracos. O fraco, neste caso, é o cidadão que cumpre e respeita as leis de trânsito, que é prudente e dirige com cuidado. Ah sim, porque forte é o machão que mete o dedo no nariz, que cospe e joga lixo pra fora do carro, que fura o sinal, que buzina pra todo mundo, que xinga as mulheres, manda elas pra casa com os filhos e o fogão. Se não ultrapassar não é o cara! A sensação de impunidade que o carro cria, apesar de ser ilusória, mexe com o ego desses primatas. Imagine só como é fácil bater em outro carro, atropelar alguém, ou qualquer outra infração, por detrás de um vidro fumê! Não se pode ver quem está lá. Se o homem sai rapidamente do local, às vezes não dá nem tempo de anotar a placa, e pior, às vezes a placa é clonada! Bingo! Vira título de filme de quinta: Pegue-me se puder!

É patético, infelizmente, patético, mas é a mais pura realidade!

Na mesma semana mais uma coincidência muito triste... a morte do filho de uma atriz famosa por atropelamento, o motorista fugiu, não prestou socorro, parece que estavam fazendo racha, que másculo não? Quer coisa mais máscula que um bom pega? Ah sim, tem mulher que gosta, vai entender, o ser humano é definitivamente a criatura mais complexa do universo, o resto é fichinha! Não tenho e não preciso saber se era chegado o momento deste menino de 18 anos trocar de Plano, não importa, as infrações de trânsito não se justificam por nada neste mundo. Nem do outro!

Aos 16 anos eu fui atropelada... assunto desagradável, mas pertinente. Fiquei 5 meses deitada, sem conseguir sequer sentar, passei por muitas cirurgias, nada grave, mas tenho algumas pequenas limitações. Perdi muitas coisas naquele momento, o sofrimento foi terrível, mas eu ganhei a vida de volta, e não fiquei com nenhuma seqüela irremediável. Mas nem é esse meu assunto, quero contar do motorista que causou isso tudo. Ele dirigia bêbado, em alta velocidade, e tão logo eu rolei no chão, atirada por seu carro a muitos metros do lugar em que estava ele correu em minha direção e tentou me chutar, dizendo palavrões e profundamente frustrado por que eu havia amassado o carro dele. Não conseguiu concluir a ação porque foi impedido pelas pessoas que me acompanhavam. O que houve depois? NADA. Nunca houve nada.... não tinha naquela época o Código de Trânsito. Como a gente vê, hoje que está em vigor parece que não faz diferença! O Brasil é o país das leis mais lindas do mundo, pena que elas não saem do papel!

A sensação de impunidade em qualquer ocasião tem consequências graves, no trânsito isso fica mais claro, é mais imediato, é a selva, cada um por si e Deus por quem eu matar. Às vezes ao observar os carros, chego a ter a nítida sensação de que eles são os vilões, como aquele desenho do Pateta em que há um julgamento para os carros, alguém se lembra? Parece mesmo que eles voam, ultrapassam, debocham do que ficou pra trás, pegam as garotas de programa escondido da família e as devolvem – ou não, enfim, parece que o carro se tornou um ente, capaz de ser anônimo não importando a situação.

É esse desejo de se dar bem a qualquer custo, essa sensação de anonimato que leva muitos motoristas a fugir à responsabilidade de seus atos nas estradas, dentro de seu suporte biônico, sua cápsula de fuga da realidade, seu casulo de proteção, e por que não, seu útero mecânico!
É, as pessoas precisam se doar mais... a vida não é um jogo, embora alguns pensem que seria mais divertida se fosse. Nenhum de nós está livre de cometer uma barbeiragem e acabar ferindo outra pessoa, acontece, nós erramos, somos humanos afinal. Mas provocar isso é cruel, é insano! Já não chegou de violência? Até quando vamos ter que conviver com a barbárie para aprendermos que viver em paz é bem melhor, que dói menos? Espero que ninguém precise passar pelo que passei e tantos passam diariamente para entender o que um automóvel é capaz de destruir, ou melhor, o que o ser dentro do carro é capaz de destruir! São muitos os caminhos que podem levar à solução deste problema que envolve inúmeros fatores, e não é a velocidade que vai nos levar a qualquer um deles!




Aproveito para divulgar a campanha do Jornal Bem Estar para o trânsito: é só entrar no site e pedir o adesivo, que eles enviam pelo correio, com a seguinte frase: GENTILEZA gera amor e paz!

domingo, 11 de julho de 2010

Entre o ser e as coisas


Onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e à rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva.

Às almas, não, as almas vão pairando,
e, esquecendo a lição que já se esquiva,
tornam amor humor, e vago e brando
o que é de natureza corrosiva.

N´água e na pedra amor deixa gravados
seus hieróglifos e mensagens, suas
verdades mais secretas e mais nuas.

E nem os elementos encantados
sabem do amor que os punge e que é, pungindo,
uma fogueira a arder no dia findo.





DRUMMOND - 1951 - Claro Enigma

O meu olhar é nítido como um girassol...

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...



Alberto Caeiro - heterônimo de Fernando Pessoa, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A arte no Ocidente!?

Pensava eu sobre um desenho budista parado à minha frente, como fundo de tela do meu computador e comecei minha viagem...

Os indianos pintam, costuram e bordam os seus tecidos, como quem lava a louça, algo absolutamente natural, que flui, um grande talento que é vendido aqui por muitos reais mas que para eles rende míseros centavos. Para mim estes tecidos parecem obras de arte, mas não estão expostos em lugar algum, são vendidos em muitos lugares sem o status de “arte”, apesar de serem bastante valorizados, mas é diferente de um quadro, uma escultura... por quê?

Por que aqui a arte não flui, nós não temos liberdade para criar, a escola não nos ensina, a família não nos ensina, somos castrados desde pequenos para que sigamos esta ou aquela profissão para que possamos ganhar o tão sonhado dinheirinho, e basta. Arte? Não, isso é coisa de gente rica (começa por aí), maluca, maconheira, promíscua... e tome preconceito!

Por isso no ocidente a arte tem um status diferente, ela virou comércio também (na verdade tudo no ocidente virou comércio), porém de valor altíssimo, por que não há uma população inteira produzindo e criando mas sim meia dúzia de pessoas, muitas com talento duvidoso, sendo tratadas como deuses.

Aqui a arte tem outra conotação. Imagina alguém em casa que esteja a fim de pintar uma tela, ou mexer com argila para fazer um caneco que seja? Se esta pessoa souber que não vai ganhar dinheiro, que não tem onde expor porque não está no “meio”, que não vai fazer sucesso e, portanto será visto apenas como o vagabundo da família, nunca como alguém que largou tudo para se dedicar à arte, então vai pintar pra quê? Só para se desestressar? Nunca! Essa é a lógica! Que maluco!

Por esse motivo a arte é reprimida, não flui naturalmente, ele é exercida mediante certa pressão para que tu sejas então um “artista” propriamente dito, mesmo que medíocre, mesmo que vendido, mesmo sem talento, nem que seja pra ser capa de alguma revista! Existem tantas culturas que lidam com tapeçaria, pintura religiosa, como no Butão, por exemplo, chegam a ficar anos tecendo uma única peça. Isso é dedicação, mesmo que seja usada como ganha pão, ainda assim tem um valor diferente, mesmo que feita para ser vendida, já faz parte daquela cultura, é parte daquelas pessoas, mostra quem elas são, criou uma identidade fortíssima, e isso é divino!

Nós aqui, do outro lado do mundo temos tanto que aprender com estes povos que passam sua arte de pai pra filho, perpetuando sua obra. Nós devíamos ter arte nas escolas, cursos não pagos, de livre escolha, acessíveis a todos, para que as crianças pudessem se desenvolver com tranqüilidade, segurança na vida, paz interior, trabalhando sua criatividade e canalizando sua energia para algo elevado, de modo que não houvesse meia dúzia de “artistas”, mas sim, uma população inteira capaz de criar, capaz de deixar fluir o que quer que seja, capaz de ser tudo aquilo que hoje, sem dúvida está preso e escondido!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Mudanças aprovadas para o Código Florestal Brasileiro representam uma vergonha para o país!

Foi aprovado ontem o relatório do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que acarretará mudanças absurdas no Código Florestal Brasileiro. A Comissão Especial da Câmara dos Deputados, formada para avaliar as mudanças no Código, aprovou por 13 votos à 5 este documento, que nada mais é, que uma afronta contra a natureza e seus cuidadores, porém ovacionado pela bancada ruralista. Que vergonha!

Segundo Bruno Calixto, no site Amazônia.org, a votação foi turbulenta com manifestações do Greenpeace, que utilizaram sirenes e uma faixa onde dizia “Não vote em quem mata as florestas”, tudo na tentativa de chamar a atenção para a discussão que não deveria sequer estar sendo feita em ano eleitoral, dada sua importância, neste momento em que o país se volta à ridícula, porém necessária, campanha dos candidatos à presidência. Após a votação, Rebelo pediu que todos os destaques fossem rejeitados, sem prejuízo de que os autores os apresentem em Plenário, que só deve se realizar após as eleições, novidade né!
Para que todos saibam quem votou, aqui está a orientação dos partidos para a votação:

Contra o relatório do Aldo Rebelo: PSOL, PV, PT.
A favor do relatório: PPS, PTB, PP, PR, DEM, PMDB.
Liberaram a bancada: PSDB, PSB, PcdoB, PMN.


E agora os nomes:


Favoráveis
Anselmo de Jesus (PT-RO) - SIM
Homero Pereira (PR-MT) - SIM
Luis Carlos Heinze (PP-RS) - SIM
Moacir Micheletto (PMDB-PR) - SIM
Paulo Piau (PPS-MG) - SIM
Valdir Colatto (PMDB-SC) - SIM
Hernandes Amorim (PTB-RO) - SIM
Marcos Montes (DEM-MG) - SIM
Moreira Mendes (PPS-RO) - SIM
Duarte Nogueira (PSDB-SP) - SIM
Aldo Rebelo (PCdoB-SP)- SIM
Reinhold Stephanes (PMDB-PR)- SIM
Eduardo Seabra (PTB-AP) - SIM

TOTAL A FAVOR: 13

Contra
Dr. Rosinha (PT-PR) - NÃO
Ricardo Tripoli (PSDB-SP) - NÃO
Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) - NÃO
Sarney Filho (PV-MA) - NÃO
Ivan Valente (PSOL-SP) - NÃO
TOTAL CONTRA: 5

Especialistas no assunto alegam que isto significa um enorme retrocesso em relação ao trabalho de muitas organizações nos últimos 20 anos. A ex-ministra Marina Silva acredita que a proposta do relator revoga o primeiro artigo do código e faz com que as florestas deixem de ser um bem da sociedade. Além disso, isenta os proprietários de terra da obrigação de proteger as florestas. Entre as mudanças propostas por Rabelo estão a atribuição de maior autonomia aos Estados para que possam legislar sobre meio ambiente e a retirada da obrigatoriedade de reserva legal - fração destinada à preservação ambiental- em pequenas propriedades (na Amazônia, por exemplo, um módulo fiscal pode ter 100, 150 hectares, então são áreas de 400, 500 hectares ao todo que poderão desmatar a reserva legal). Não estou aqui tentando fazer qualquer espécie de defesa à ex-ministra, mas sim tentando mostrar as diversas opiniões que cercam o assunto.


Falando em nome da Ong TNC - The Nature Conservancy – a ambientalista Ana Cristina Barros, que acompanha os debates e as votações, afirma que o substitutivo do deputado Rebelo para o Código Florestal vai eliminar todos os controles do desmatamento por um período de cinco anos. Ela destaca três pontos prejudiciais do substitutivo apresentado pelo deputado que são: este período de cinco anos sem controle do desmatamento, a anistia dos desmatamentos ilegais ocorridos até 2008, e a isenção de reserva legal para propriedades de até quatro módulos fiscais. Segundo Ana, a própria Ong tem uma série de trabalhos de campo que mostram que existem empresas de produtores rurais interessadas em comprovar a qualidade ambiental de sua produção, e parece que isso não entrou como subsídio no texto proposto na comissão. Também diz se surpreender por não haver menção ao decreto Mais Ambiente, a regulamentação mais recente relacionada ao Código Florestal, que institui o Cadastro Ambiental Rural e cria cinco anos de prazo para o produtor se regularizar, que de acordo com ela, é uma tentativa de regularização que a Ong considera louvável por não receber mais o produtor com uma multa quando ele se apresenta ao governo para se regularizar, permitindo que as multas sejam suspensas a partir do momento em que ele assume um compromisso em colaborar. Ou seja, se agora a multa não existe mais, quem é que vai se apresentar para tentar regularizar a sua situação??? Vai por água a baixo o compromisso, uma vez que os produtores que já estejam em algum processo de regularização têm a possibilidade de, unilateralmente, romper esse compromisso!! E aí, como não chamar isso de ridículo, chega a ser cômico!! Claro, que aqueles interessados em se legalizar talvez nem consigam nada ou nem saibam o que fazer, o que só favorece quem não está a fim de cumprir com as leis, caso dos grandes latifundiários. Vale a pena ler a entrevista da Ana na íntegra no site Amazônia.org.br, ela explica com detalhes o que muda e as conseqüências destas mudanças.


Rebelo se defende dizendo que antes de chegar a este ponto foram feitas muitas audiências públicas, no entanto, ambientalistas e deputados de partidos contra a medida, alegam que muitos interessados não foram convidados, e muitos não podiam participar, enquanto que os produtores rurais compareceram a todas, portanto elas não foram equitativas, faltou democracia! Os ruralistas sustentam sua defesa pela mudança do código baseados em dois estudos sobre ocupação da terra no Brasil, um da Embrapa afirmando que faltam áreas disponíveis para a agricultura no país (nem foi comprado) e o outro é um relatório produzido pela União dos Fazendeiros dos Estados Unidos (estava demorando, eles estão metidos em tudo) segundo o qual a proteção de florestas no Brasil é boa para a competitividade da agricultura dos EUA. Mais uma vez temos a prova de o LUCRO, sempre derruba todo e qualquer argumento, TIME IS MONEY!


Semana passada, movimentos sociais, sindicais e entidades ambientalistas, personalidades e intelectuais, tornaram público um manifesto em defesa do meio ambiente, da produção de alimentos e contrário às mudanças propostas para o Código Florestal brasileiro. O manifesto, assinado inclusive por Leonardo Boff e D. Pedro Casaldáliga revela o que já esperávamos, que o relatório irá atender apenas aos interesses dos ruralistas, questionando a ausência de um debate amplo sobre o tema. Divulgo aqui pontos importantes do documento que pode ser lido na íntegra através do link:


“De acordo com o substitutivo, a responsabilidade de regulamentação ambiental passará para os estados. É fundamental entendermos que os biomas e rios não estão restritos aos limites de um ou dois estados, portanto, não é possível pensar em leis estaduais distintas capazes de garantir a preservação dos mesmos. Por outro lado, esta estadualização representa, na prática, uma flexibilização da legislação, pois segundo o próprio texto, há a possibilidade de redução das áreas de Preservação Permanentes em até a metade se o estado assim o entender.”


“O Projeto acaba por anistiar todos os produtores rurais que cometeram crimes ambientais até 22 de julho de 2008. Os que descumpriram o Código Florestal terão cinco (5) anos para se ajustar à nova legislação, sendo que não poderão ser multados neste período de moratória e ficam também cancelados embargos e termos de compromisso assinados por produtores rurais por derrubadas ilegais. A recuperação dessas áreas deverá ser feita no longínquo prazo de 30 anos. Surpreendentemente, o Projeto premia a quem descumpriu a legislação.”


“O Projeto desobriga a manutenção de Reserva Legal para propriedades até quatro (4) módulos fiscais, as quais representam em torno de 90% dos imóveis rurais no Brasil. Essa isenção significa, por exemplo, que imóveis de até 400 hectares podem ser totalmente desmatados na Amazônia – já que cada módulo fiscal tem 100 hectares na região –, o que poderá representar o desmatamento de aproximadamente 85 milhões de hectares.”


Diante de tamanha irresponsabilidade, o que não me admira estar vinculada ao PC do B, partido este que já deveria, senão desde o início de sua história, ao menos agora, ter a dignidade de deixar de se dizer comunista, visto que isso é uma grande ofensa aqueles que, de verdade, lutam por uma causa justa - ainda que não se considerem comunistas, nos resta torcer para que a discussão não acabe, e que no Senado a história não se repita, e depois disso, que o presidente possa vetar este documento, para que o Brasil sirva de exemplo. Afinal, é fácil falar que a China, a Índia e o Brasil poderão ser as novas economias mundiais, enquanto continuamos importanto o lixo dos países desenvolvidos, enquanto eles gastam o dinheiro lá e trazem para cá suas fábricas poluidoras, enquanto roubam matéria prima daqui a preço de banana, e nos revendendo a peso de ouro! Não tem como ficar tranquilo diante disso tudo! Vamos ver, lá adiante, onde é que tudo vai dar. Tomara que não seja tarde demais!!!




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sábado, 3 de julho de 2010

Democracia Religiosa - boa iniciativa!

Finalmente uma atitude democrática envolvendo religião! Há pouco mais de uma semana foi divulgada a notícia de que o Hospital de Clínicas de Porto Alegre terá novo espaço Inter-religioso, no lugar da capela católica. Salve, salve! Quero deixar claro que não tenho, de maneira alguma, nada contra os católicos, mas acredito que todas as pessoas, de diferentes credos, têm o direito de se manifestar e de se sentir à vontade em um país “Laico” como se diz, mui na teoria, que é o caso do Brasil. A assessoria do Hospital justifica que está se baseando na norma constitucional que desestimula os órgãos públicos a privilegiar um credo em detrimento a outros, nada mais justo não é mesmo? E que a partir de julho, o espaço dará lugar a um ambiente laico, sem imagens sacras ou que façam referências a qualquer religião. A idéia é criar o Espaço da Espiritualidade – com imagens de natureza, sem referências a alguma religião. Ainda afirmam que o incentivo à diversidade é uma tendência mundial.
Em Portugal há iniciativa semelhante que merece divulgação. O Hospital de São João, no Porto, terá o espaço multireligioso que deverá estar pronto até final de 2011 e será modelo para espaços semelhantes em outros hospitais. O projeto, acessível ao público, inclui sete pequenos lugares de oração para diferentes credos como cristianismo (protestante e ortodoxo, uma vez que os católicos já têm uma capela), judaísmo, islão, budismo ou hinduísmo. No caso dos muçulmanos, o seu pequeno oratório (como se fosse um mehrad das mesquitas) estará mesmo orientado para Meca, como manda a regra do islão. Mas isso é o que há! Tá mais que certo, é o mínimo...mas é claro que aqui a história é outra.


A arquidiocese está pensando em entrar na Justiça contra a medida. O arcebispo de Porto Alegre dom Dadeus Grings está encabeçando a campanha contra o Espaço. Também pudera, por séculos a igreja mandou e desmandou no mundo, fez o que quis e ninguém ousou dizer basta. Já estava mais do que na hora de se iniciar o debate de democratizar a religião. Cada um pode e deve ter seu templo, seu lugar para orar, sua igreja, seu espaço, mas isso já existe, já existem milhares de capelas e igrejas e mesquitas, etc...., mas dentro de lugares públicos, como o Hospital de Clínicas, que é federal, mantido pelos impostos pagos por todos nós, não é justo que tenha apenas uma capela católica e que mais ninguém possa se manifestar! Isso é um absurdo! Qualquer hora seremos obrigados a ter capelas em escolas públicas, em fóruns, em tribunais, o que aliás, há bem pouco tempo, por alguma medida que eu não lembro qual, foi determinado que se retirassem todas as cruzes das salas, afinal, não é possível que haja tal manifestação deste tipo. Por mais que eu seja cristã, a cruz é um símbolo católico, e não é cabível que elas estejam por toda a parte.

O arcebispo protesta contra a decisão, alegando que o ato fere o acordo entre o Vaticano e o Brasil, assinado recentemente, que regulamenta aspectos jurídicos da Igreja Católica no país. O acordo foi assinado durante encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o papa Bento XVI. E aí, dizer o quê depois disso??? Será que há ainda pessoas que acreditam que vivemos em um país democrático? Se não podemos escolher sequer nossa religião, se somos obrigados a ter a aula de religião supostamente “facultativa”? Se a aula servisse para ensinar valores, eu seria a primeira a topar, mas nunca tive uma aula que prestasse, era período morto, ninguém agüentava aquilo.


Sobre os hospitais, sou super a favor que exista um lugar para as pessoas rezarem, chorarem, descarregarem a dor e o sofrimento na sua fé, falar com seu Deus e com quem mais achar que devem, principalmente por que as freiras fazem um trabalho muito bacana de visitar os doentes e de fazer preces, atitude louvável e muito importante, mas por que apenas um grupo de pessoas pode ter esse privilégio??? Por que não todos??? Por que não tem condições de outros grupos religiosos fazerem o mesmo? Então os muçulmanos, os budistas, os yoguins, os evangélicos, os judeus, os espíritas, etc, não têm o mesmo direito??? Volto a dizer, não tenho nada contra os católicos, ao contrário da maioria deles, eu acho maravilhoso que cada um escolha com liberdade sua forma de exercer a fé, mas sou contra a prática da igreja de querer sempre passar por cima de tudo o tempo todo! Até quando???


É este tipo de atitude e de pensamento que destrói o mundo. É por trás de toda esta bobagem que se esconde o racismo, o nazismo, o fascismo! Esta besteira de disputa religiosa, usada habilmente por mentes maldosas contra pessoas incautas já foi responsável por rios de sangue, por guerras, estupros, matança indiscriminada! Caramba! Estamos no século 21, e o homem ainda acha quem tem o direito de mandar no outro! Então devo supor que esqueceu da máxima de Jesus: “Amai a Deus acima de todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo.” Mas onde é que se pratica isto??? Quem está de fato preocupado em praticar?? Quanta insensatez!

Lamento que tantas pessoas, ao se dizerem desta ou daquela religião, vivem muito mais do status que isso lhes traz do que realmente dos princípios elevados ensinados por Deus. O dia que o ser humano entender de verdade quem e o que é Deus não haverá mais disputas, nem ódio, nem preconceito. Pena que não têm se importado muito com isso!


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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Violência contra as mulheres no Congo não deve ser esquecida!!


O evento Fronteiras do Pensamento 2010 – realizado no Salão de Atos da UFRGS - trouxe à Porto Alegre esta semana o médico congolês Denis Mukwege, que já foi indicado ao Nobel da Paz, e ele trouxe à público novamente um fato que o mundo por vezes parece esquecer, mas que é de grande importância: a violência contra as mulheres no Congo. O próprio médico diz que já tratou mais de 21 mil mulheres vítimas de violência sexual durante os anos de guerra no país, mas não há números que contem ou calculemo sofrimento delas. Li na ZH algumas coisas que ele disse, e gostaria de divulgar:

“A violência contra a mulher é contra nossa humanidade. A violação não é uma relação sexual. A violação é uma destruição.”

“A medicina que não tem a vida como prioridade abdicou de sua vocação de medicina.”

“Não há democracia sem direitos humanos..”

“Penso que a política da ONU na África deve ser repensada. A ONU devia ter um papel muito mais forte. O papel de observador não leva a nada. No genocídio de Ruanda, com 1 milhão de mortos, a ONU estava lá e saiu.”

Segundo o site Opinião e Notícia os ataques sexuais são praticados rotineiramente por soldados, políciais, grupos armados e cada vez mais por civis. De acordo com um relatório da ONU, o estupro e a violência contra mulheres são vistos por uma grande parcela da sociedade como normais. Muitas mulheres sofrem estupros coletivos, às vezes diante de suas famílias, e homens são forçados, sob ameaça de morte, a estuprar suas filhas, mães ou irmãs.
Há mais de dez anos as mulheres sofrem graves atentados deste tipo, e muitas deram-se conta de que o estupro é utilizado como arma de guerra. Só no primeiro semestre de 2008 foram registrados mais de 1.470 casos, de acordo com o site Observatório da Mulher. Essa prática começou com a força paramilitar de Ruanda que invadiu o Congo, mas como a justiça do país não funciona, esses crimes permaneceram impunes, então os congoleses também começaram a praticá-los, inclusive os civis. A violência é praticada em casa, na escola, em todo o lugar. O resultado desta terrível situação é o aumento do número de crianças órfãs e contaminadas com o HIV, além do alto índice de gravidez, chegando a 4 para cada 10 estupros.
O mais triste é que eu não ouço nenhum jornal falar disso, então quem vai denunciar este horror???
Até quando as notícias sobre o Mercado Interno e os números da Bolsa de Valores serão mais importantes que tantas vidas destruídas??? Ah mas é lá na África não é mesmo??? Se fosse nos USA seria diferente! E a ONU faz o quê? Ah, a ONU na verdade é mais um braço Norte Americano pelo mundo!
Isso é assunto que devia ser debatido em escolas, em casa, na padaria do seu João...sei lá...
Eu, como espírita e yoguin sei que a humanidade está em processo de aprendizado, que estamos chegando em um momento bastante sério e acredito que o universo irá se encarregar de ajeitar as coisas em seus devidos lugares, mas enquanto isso o mundo precisa se mecher!!! Ter fé não significa ficar sentados de braços cruzados sem fazer nada. Ao contrário, é preciso denunciar! Se nossa ação é pouca, que seja alta nossa voz, que nossa palavra possa ecoar pelos quatro cantos deste planeta e ajudar a acabar com a injustiça e a violência!
Enquanto isso...quem ajuda aquelas mulheres???? Como as pessoas conseguem dormir??


Ler mais:

http://observatoriodamulher.org.br/site/index.phpoption=com_content&task=view&id=384&Itemid=64